quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Keep Me Where The Light Is - Parte 1

Depois de algum tempo escondido, resolvi postar isto. Isto é o início de uma história que eu espero conseguir continuar.

Não interessa o mês, o ano ou o dia. Interessa saber que há coisas que passaram a fazer sentido. Interessa saber que a nossa personagem corria de sorriso no rosto. Não interessa saber que chovia tanto que o impedia de ver o caminho. Não interessa saber que tudo isso já lhe tinha valido umas quantas quedas, uns quantos cortes, um joelho esfolado, uma camisola rasgada (logo a sua favorita). Interessa saber que nada o fez abrandar. Nada excepto o vislumbre daquele alpendre fracamente iluminado. Uma pulsação mais rápida. Uma respiração ofegante. O frio da chuva. Uma gargalhada. Porque depois de tanta pressa, esqueceu-se do mais importante. O que precisava de ser dito. O como. Os porquês. Típico. Mas tal como a espontaneidade que o fez começar a correr, fê-lo continuar até à luz. Devagar, porque agora tudo se sente:

- Estás uma bela porcaria. – Disse, com aquele sorriso estranho no rosto, um misto de dor e alegria, incerteza e segurança.

E quando chegou à escadaria, em jeito de flashback, lembrou-se de tudo aquilo que o tinha feito tomar aquele caminho. Do bom, do mau, dos inúmeros dias passados. Do bem que se sentiu naquele alpendre. Acompanhado, a ver a chuva, a conversar. Sempre com a mesma luz, a luz fraca. E antes de bater à porta fez um pedido a si próprio, talvez à sua sorte. Implorou. Não na sua língua. Noutra que tão bem lhe soa:

- “Please, keep me where the light is”.

Mas estou a adiantar-me. Para perceberem aquilo que se vai passar a seguir, ainda têm muito que saber. Esta é a história daquilo que o levou àquele alpendre. De quem o levou.


Eu sou o Homem do Meio. Até um dia.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em recuperação

Sento-me para rabiscar. Porque é isso que faço hoje em dia. Rabisco, e talvez na ponta desta caneta prateada esteja algo digno de registo, ou partilha, talvez. Não me sinto mais ou menos feliz do que quando tudo isto começou. Talvez mais marcado, de quando as cicatrizes cresceram ao contrário do esperado, como facas que cortam de dentro para fora. Certamente mais confuso. Eu chamo-lhe recuperação, do acidente que esperou os seus dias para acontecer, ou melhor, que foi acontecendo, com toda a sua inevitabilidade.
Em recuperação, ora aí está um bom título.
E já não era sobre isto que eu queria falar, mas sim sobre sentimentos e a minha falta de habilidade com eles. Pelo que parece estes rabiscos levam-me a sítios improváveis. Mas mostra que no meio desta confusão há uma certeza absoluta. TUDO está ligado. Tudo isto levou a tudo o resto. E este desvio leva-me de novo ao destino desejado.
Em recuperação.
Para que aquela porta, ao fechar, não me faça pensar em tudo o que nunca será, mas sim no bom que poderá ser.

Eu sou o Homem do Meio. Até um dia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Domingo



Sem planos nem restrições.
Só impulsos.
Nunca sair de casa soube tão bem.

Eu sou o Homem do Meio. Até um dia.