Sente as 11 passarem a 12 enquanto espera. A sua pulsação frenética funde-se com o mover dos ponteiros do relógio de pulso. Na antiga catedral só encontra um banco antigo, tudo o resto foi levado. Os vidrais partidos ilustram o abandono que habita por aquelas paragens.
O mínimo barulho ou ranger de madeira podre traduz-se numa injecção de adrenalina. À sua cintura sente o frio do metal do seu revólver, pronto a ser chamado a agir. Está à espera de algo, a sua agitação sabe-o.
Ao longe ouvem-se disparos. Num estrondo abrem-se as portadas por alguém ter violentamente chocado contra elas. É ela por quem esperava. Mantém-se inerte no centro do salão enquanto tenta perceber o que se passava lá fora, coisa que a luminosidade que de lá vem impossibilita. A rapariga levanta-se, ferida, de arma em punho e coldre na coxa. Atira-lhe um objecto negro com urgência enquanto grita, de lágrimas no rosto: "Corre!". A adrenalina mistura-se com uma mágoa imensa. Instintivamente, vira-se e corre para a porta das traseiras. Ouve-se um disparo. A sua bota força com que a porta se abra.
Acorda. No peito sente um aperto asfixiante. Na mão mantém o objecto negro: a chave.
o Homem do Meio.
domingo, 9 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Half of the meaning
Não somos os nossos problemas, mas antes a resolução que escolhemos para eles. Não somos o dinheiro que temos, mas antes a riqueza que procuramos para nós. Eu não sou aquele que vês numa foto antiga, já depois de a tirar não o era. Não sou uma resposta, mas é bom que deixe em ti um conjunto de perguntas amotinadas. Não sou uma conclusão, pelo menos não para já.
Tal como aquilo que parecemos ser é apenas um toque naquilo que somos de verdade, encontramos também numa língua diferente da nossa a dificuldade inerente em expressarmos o significado que a nossa mente construiu. Aquilo que queríamos dizer já se perdeu quando abrimos a boca e parece sempre ficar aquém.
Engraçado, mas também eu sou uma metáfora para tudo isto. Também eu quis dizer o que sentia, e a única coisa que consegui foi ficar...a meio.
Tal como a minha escrita nunca conseguiu chegar aos calcanhares daquilo que a revolução química das minhas emoções alguma vez desenhou,
o Homem do Meio.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Só de mim
A forma fácil de entregar uma mensagem.
E ver as pessoas que pararam para escutar.
Inspire yourself,
o Homem do Meio.
E ver as pessoas que pararam para escutar.
Inspire yourself,
o Homem do Meio.
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