sábado, 29 de outubro de 2011

This Time Around

"(...)When I meet you, in that moment, I’m no longer a part of your future. 
I start quickly becoming part of your past.
But in that instant, I get to share your present.
And you, you get to share mine. 
And that is the greatest present of all. 
So if you tell me I can do the impossible, I’ll probably laugh at you. 
I don’t know if I can change the world yet, because I don’t know that much about it – and I don’t know that much about reincarnation either, but if you make me laugh hard enough, sometimes I forget what century I’m in. 
This isn’t my first time here. 
This isn’t my last time here. 
These aren’t the last words I’ll share. 
But just in case, I’m trying my hardest to get it right this time around."

by Sarah Kay - Hiroshima


Sabem tão bem quanto eu que até pode ser num pacote de açúcar. Num cartaz publicitário. Numa conversa interceptada numa viagem de metro. Em qualquer lugar, em qualquer altura, vai haver alguém que nos consegue surpreender com aquelas ideias que de tão óbvias, conseguem dançar à nossa frente e falar por nós, sem que as vejamos.

Uma boa noite,
o Homem do Meio.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Promise

"Maybe, just maybe I'll come home."



"...deixe a sua mensagem após o sinal."

Olá, sou eu.
Está quase no fim. É óptimo, não é? Não te sei dizer o número de vezes que pensei no final. Não sabe a nada, sabes? É mais um ponto final daqueles que coleccionamos...
Isto pode cair como uma surpresa, mas telefonei para to dizer...

Não vou voltar para casa. Não por agora. Mas eu volto, prometo. E tu sabes que eu cumpro as minhas promessas.

Não por agora,
o Homem do Meio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Back On His Feet

O silêncio podia-se respirar nas ruas daquela pequena vila. Os únicos carros na estrada eram os da polícia, com os sinais luminosos ligados, que procuravam aconselhar pessoas que ali andassem a voltarem para casa e esperarem. À porta das casas, os membros mais velhos de cada família mantinham-se preocupados, ansiosos e expectantes. Perto deles, tinham água, os kits de primeiros socorros, cordas, enfim, qualquer coisa que pudesse servir para ajudar. As suas crianças ficavam na escola até mais tarde, rotina que se repetia há alguns meses. Dentro das salas, faziam jogos, viam desenhos animados, qualquer coisa que os ocupasse. Os bombeiros e enfermeiros, sempre preparados para sair em caso de emergência. Tinham os carros equipados, atestados e de chave na ignição. Os telefones eram quase obrigados a ficarem mudos, condição que apenas seria alterada em circunstâncias muito específicas. 

Ao início da estrada via-se um rapaz de bicicleta, que pedalava com toda a força que tinha. À medida que o avistavam as famílias iam-se chegando à beira do passeio, curiosas. O rapaz trazia novidades, boas novidades, que gritava a plenos pulmões e pedia que passassem a palavra. A vila ganhou nova vida, com todos os telefones a tocarem em simultâneo, as famílias que se abraçavam, as crianças na escola que gritavam de alegria, os polícias e bombeiros que ficavam na rua a bater palmas. Era o regressar à normalidade, era o desvanecer das preocupações acumuladas. 

O rapaz da bicicleta gritava "Ele está de volta. Passem a palavra. Ele está bem. Ele está de volta." 

Para que durmam bem de noite, 
o Homem do Meio.