quarta-feira, 31 de março de 2010

1ª Exposição "Descobrir Novos Autores"


Como podem ver no cartaz, de dia 1 a 30 de Abril vai decorrer a 1ª Exposição "Descobrir Novos Autores" na Associação Académica da Amadora.

"Criado por Rafael Loureiro, Descobrir Novos Autores é um espaço que promove, tal como o nome indica, Novos Autores. Num momento em que e tão difícil editar e divulgar em Portugal, este projecto servirá de plataforma para a divulgação de novas obras editadas por autores portugueses. Descobrir Novos Autores terá com estratégia principal, ciclos de exposições que percorrerão o nosso país."
- Retirado do site http://descobrirNovosAutores.blogspot.com

Apareçam e apoiem os autores portugueses que tanto lutam para ver o seu trabalho reconhecido.

Até um dia,
o Homem do Meio.

domingo, 28 de março de 2010

Depois de escrever isto, a National Geographic vai querer contratar-me.

Andam nas mesmas ruas que nós. Respiram no nosso ombro, mesmo sem sabermos. Partilhamos um dia a dia, sem noção, nem mínima, de quem são. Mas a sua paixão denuncia-os. O seu amor por um símbolo torna-os, não perigosos, mas cegos, imprudentes. Podemos escutar, no pico do seu êxtase, entre grunhidos, a palavra "BENFICA", se estivermos atentos o suficiente.
Convivemos com eles, os ditos benfiquistas, de forma pacífica. São tão perigosos como qualquer um de nós...EXCEPTO em dia de jogo.
Depois de um jogo, tornam-se daltónicos. Semáforos perdem significado. Não interessa se podem ser atropelados ou não. Só alguns conseguem chamar-lhes a atenção e furar por entre o aglomerado de gente.  Principalmente se vierem depressa e não mostrem intenções de parar. Uma tonelada a passar por cima dos "adeptos do clube da Luz" não significaria nada, não no dia em que o seu clube joga. Não no dia em que conseguiu uma vitória. E chega a ser tocante a maneira como um evento desta natureza os transforma. A maneira como alguns deles perdem a compaixão pelos seres da sua própria espécie, e gritam coisas do género "ISSO, SALTA PARA A FRENTE DO CARRO! ANORMAL!". Perturbador.
E demora a passar. Durante horas a sua única forma de comunicação são parcas palavras. "AH GRANDE BENFAS!", "CARREGA!!", "BENFIIIICA!". Assustador, no mínimo.

Deste dia de observação temos bastantes conclusões a retirar.
Nunca se aproximem das imediações da sua "sede" em dia de jogo.
Se o fizerem levem carro. Pesado. Um limpa-neves será adequado.
Caso não o arranjem, coloquem-se atrás de um condutor com o pé pesado e não o larguem. É a única maneira de transpor a manada.
Preparem-se para o pior.

Não percam o próximo episódio, onde iremos falar da importância do arame farpado no cultivo da batata doce.

Até um dia,
o Homem do Meio.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Clássicos do Meio

"But, tell me, did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day?"
- Train - Drops of Jupiter



Até um dia,
o Homem do Meio

terça-feira, 23 de março de 2010

Got Paper?

Tenho medo de ir dormir.
Com a quantidade de papel que se estraga em campanhas para associações de estudantes, receio acordar embrulhado em panfletos da Lista "O meu pai tem uma casa de cópias e fez-nos um preço especial", tal como um bibelot, assim, à antiga.

A Protecção Civil foi chamada, esta segunda-feira, para uma intervenção urgente num instituto politécnico de Lisboa. Os meios destacados para a Madeira foram desviados, tais como aqueles que mantinham o José Castelo Branco dentro de casa, devido ao perigo de morte por corte de papel em que se encontravam milhares de estudantes.

Se alguns dizem que o pulmão de Lisboa é no Monsanto, vão mudar de ideias quando entrarem na faculdade que frequento e se lembrarem que o papel vem das árvores.

Assim que eu acabe de transformar aqueles cartazes em aviões de papel, vou invadir os EUA, o Canadá e toda uma parafernália de países do Médio Oriente. Nem vão saber o que os atingiu.

Se usássemos aquele papel todo para fazer mais cópias da Bíblia, havia muitos países aí a dizer "Muçul-quê"?

Se usássemos aquele papel para fazer mais livros educativos, havia sem-abrigo a dizer "A senhora poderá eventualmente fazer o obséquio de me facultar uma fraca quantia para que me possa alimentar convenientemente"?

A tua mãe é tão gorda, mas tão gorda, que para limpar o rabo tem duas hipóteses: ou deita a floresta da Amazónia a baixo ou vai à minha faculdade.

Terei sido explícito?

Até um dia,
o Homem do Meio.

sábado, 13 de março de 2010

Parabéns...

...mas atrasados. Com 9 dias de atraso, sejamos exactos.
Fez um ano em que aqui apareceu o primeiro texto - ainda bem que assim foi - e parece que foi ontem. Dar vida a este espaço é um pouco da minha vida, e tem-se tornado cada vez mais importante. Espero que consiga ter mais inspiração no futuro para vos poder "impingir" partes de mim, e espero igualmente que se mantenham por perto para deixarem que eu o faça.

Hoje e no que aí vem, Escolhe o bom caminho e segue sempre.

Até um dia,
o Homem do Meio.


domingo, 7 de março de 2010

Keep Me Where The Light Is - Parte 3

Dois meses depois da fuga e ainda as feridas ardiam. Agora com menos intensidade, ou por fases, mas ainda o limitavam. Tanto, que o isolamento passou a ser aquilo que mais sentido lhe fazia. O telemóvel, embora de novo com vida, ainda albergava muitas mensagens ignoradas e chamadas não atendidas.
Embora apenas um espectador, esta apatia já passava os limites da minha compreensão. Era inevitável o tentar que ele ouvisse algum dos meus gritos de raiva. E quando eu menos esperava, ele surpreendeu-me. Surpreendeu-me quando se deixou levar pelo ímpeto, que por sua vez quis quebrar a solidão e sair. Caminhar até ao bar mais próximo, aquele cujos cartazes onde se lia "Música ao vivo" lhe tinham suscitado alguma curiosidade, havia algumas semanas.
Arranjou um lugar ao balcão, onde pudesse ver o palco. Ainda só se ouvia o barulho da pequena multidão que se tinha juntado lá dentro, a mesma que lhe tornava difícil o contacto com o barman. Uma estranha aproximou-se dele. Eu? Surpreso. Aquela face de desespero ainda não tinha desaparecido:
- "Aposto que aquilo que vem a seguir consegue tirar-te essa cara triste." - Disse ela, com um sorriso confiante e um olhar desafiante. Tudo nela era belo, e em qualquer outro dia suscitar-lhe-ia interesse. Em qualquer outro dia. Por isso a resposta não poderia ser outra que não um encolher de ombros e um sorriso de agradecimento, voltando de novo a olhar o copo que repousava à sua frente. O suficiente para o olhar desafiante dar lugar a um olhar de preocupação, que a mim me deixou curiosíssimo.
- "Promete-me que ficas até ao fim." - Disse, num tom sério.
- "Não te posso prometer isso. Nem sequer te conheço." - Respondeu ele, sincero na sua vontade, sem sequer olhar para ela.
- "Claro. Vejo-te por aí." - Terminou, e virou as costas. Eu não sabia bem o que havia de fazer, se tentar atingir com uma base para copos o bloco de gelo ao qual me encontrava agarrado, ou segui-la, para perceber o porquê de tanta preocupação com um desconhecido. E foi o que veio a seguir que me deu a resposta que precisava.
A estranha sentou-se num banco, bem ao centro do palco. A estranha, de cabelo escuro apanhado, ia actuar naquela noite. A estranha, que apaixonava qualquer um à sua volta, agarrou na guitarra que permanecia ao seu lado. A estranha deixou de o ser aos primeiros acordes. Eu reconheci-os. Ele também. E se havia dúvidas, acabaram quando aquela voz, inesquecível, começou a cantar:
- "Keep me where the light is..." - enquanto olhava para ele. Enquanto o colava àquele banco.
(continua)

Eu sou o Homem do Meio. Até um dia.

sábado, 6 de março de 2010

Roleta "Meio" Russa

"You can't fight tears that ain't coming, Or the moment of truth in your lies. When everything feels like the movies, Yeah, you bleed just to know you're alive"
- Goo Goo Dolls - Iris
Regularmente ocupamos o nosso lugar naquela sala escura, com aquela mesa velha ao centro, onde repousa o revólver das nossas vidas. Chega sempre a altura da resolução. Onde a dúvida se dissipa e a verdade emerge. Agarramos na arma, rodamos o barril e de dedo no gatilho esperamos que as nossas acções não tenham mexido nas probabilidades do jogo. A verdade é que nem nos apercebemos das chances que tínhamos até ao disparo.
Chega sempre a altura da resolução. Onde apontamos a arma a um dos pés e pressionamos o gatilho. E é disso que precisamos. Se sentir a dor, ou o alívio de apenas ouvirmos um "click". Acontece que, às vezes, precisamos de destruir um pé para aprendermos a andar em frente. Precisamos de sangrar para a cura nos tornar mais capazes.
O frio do metal, e o estrondo daquele disparo, e a dor provocada pela bala é tudo o que precisamos para destruirmos, aos poucos, o medo.
Eu sou o Homem do Meio. Até um dia.